Juros nominal
A taxa de juros tal como é anunciada, expressa em dinheiro corrente, antes de descontar a inflação do período.
O juro nominal é a taxa de juros tal como aparece anunciada: no contrato do financiamento, na proposta da aplicação, na etiqueta do crediário. É expresso em dinheiro corrente — reais sobre reais — e mede quanto uma quantia cresce, em números, ao longo do tempo. Quando um banco diz que uma aplicação rende certa porcentagem ao ano, é do juro nominal que ele fala: a variação do saldo em moeda, sem nenhum ajuste.
Essa é, ao mesmo tempo, a sua virtude e o seu limite. A virtude é a clareza: o juro nominal é observável, está escrito, define exatamente quantos reais entram ou saem. O limite é que reais não têm valor fixo — a inflação corrói o que cada um compra. Um saldo que cresce em número pode encolher em poder de compra se os preços subirem mais depressa. Por isso o juro nominal costuma embutir a inflação esperada: quem empresta projeta a alta de preços do período e a soma à remuneração que deseja receber de verdade. O número anunciado, portanto, mistura duas coisas — o ganho real pretendido e a compensação pela perda de valor da moeda.
Um exemplo
Duas aplicações prometem a mesma taxa nominal ao ano, mas em países diferentes. No primeiro, os preços sobem pouco; no segundo, sobem bastante. Ao fim do ano, os dois investidores veem o mesmo número a mais no extrato — o juro nominal cumpriu o prometido. Só que o segundo, ao ir às compras, descobre que seu dinheiro rende menos na prateleira do que rendia no papel: parte do juro apenas repôs a inflação. O número era idêntico; o resultado, não. É essa diferença que o juro nominal, sozinho, é incapaz de mostrar.
Por que importa
O juro nominal é a porta de entrada de quase toda decisão financeira, porque é a taxa que se vê primeiro — mas parar nele engana. Comparar aplicações, contratos e financiamentos apenas pelo número anunciado pode levar a escolhas ruins quando a inflação de cada período é diferente. É justamente para corrigir essa ilusão que existe o juro real, obtido ao descontar a inflação do juro nominal.
Entender essa distinção muda a leitura de qualquer oferta: a pergunta deixa de ser quanto rende em reais e passa a ser quanto rende em poder de compra. No Brasil, a própria taxa básica definida pelo Banco Central — a Selic — é anunciada em termos nominais, e o efeito que ela produz sobre a economia depende de quanto dela é, de fato, juro real.
Ao dominar este conceito, você será capaz de
- Definir o juro nominal como a taxa anunciada, expressa em dinheiro corrente.
- Explicar por que o juro nominal, sozinho, não revela o ganho real de uma aplicação.
- Reconhecer que o juro nominal costuma embutir a inflação esperada.
- Diferenciar juro nominal de juro real.