Correlação

Nível 4 · Dificuldade 4/10 · 2 min de leitura

Medida de quanto dois ativos se movem juntos, de −1 a +1; o fundamento técnico da diversificação.


Correlação é a medida de quanto duas grandezas caminham juntas. Em finanças, ela descreve o comportamento conjunto de dois ativos: se tendem a subir e cair ao mesmo tempo, a correlação é positiva; se um costuma subir quando o outro cai, é negativa; se os movimentos de um nada dizem sobre os do outro, é próxima de zero. A estatística resume tudo isso num número entre −1 e +1: nos extremos, os ativos se movem em sincronia perfeita — no mesmo sentido ou em sentidos opostos —; no meio, a relação vai se afrouxando até a independência.

Duas advertências acompanham o conceito. A primeira é a mais repetida das estatísticas: correlação não é causa. Vendas de sorvete e casos de insolação aumentam juntos no verão sem que um provoque o outro — ambos respondem ao calor. A segunda é menos conhecida e mais cara aos investidores: a correlação não é fixa. Medida sobre o passado, ela pode mudar — e costuma mudar no pior momento, quando crises fazem ativos antes independentes caírem todos juntos.

Um exemplo

Considere duas empresas brasileiras: uma exportadora de alimentos, que vende em dólar, e uma companhia aérea, que fatura em reais mas paga combustível e arrendamento das aeronaves atrelados ao dólar. Quando a moeda americana sobe, a exportadora comemora — sua receita, convertida em reais, engorda —, enquanto a aérea sofre com custos mais pesados. Quando o dólar cai, os papéis se invertem. Diante do câmbio, os resultados das duas tendem a se mover em sentidos opostos: correlação negativa. Um investidor que possua as duas ações verá os solavancos de uma parcialmente amortecidos pela outra — não porque alguma seja segura em si, mas pela relação entre elas.

Por que importa

A correlação é a chave silenciosa da diversificação. O que reduz o risco de uma carteira não é a quantidade de ativos, e sim o quanto eles deixam de se mover juntos: dez ativos que sobem e caem em uníssono são, na prática, um só. Foi essa a percepção de Harry Markowitz: o risco do conjunto depende menos do risco de cada peça do que das relações entre as peças. Combinações de baixa correlação suavizam a volatilidade total sem exigir, em princípio, sacrifício do retorno médio.

Daí também os seus limites. Correlações estimadas em tempos calmos podem falhar nos turbulentos, e a proteção que elas prometem deve ser lida com margem de dúvida. E a confusão entre correlação e causalidade alimenta narrativas enganosas — dois indicadores que caminharam juntos por anos podem ter apenas uma causa comum, ou nenhuma relação além do acaso. O conceito conversa com o risco, que ela ajuda a reduzir; com a volatilidade, que ela ajuda a suavizar; e com a diversificação, da qual é o fundamento técnico: antes de perguntar quantos ativos ter, a pergunta certa é o quanto eles se parecem.

Ao dominar este conceito, você será capaz de

  • Definir correlação e interpretar valores entre −1 e +1.
  • Diferenciar correlação de causalidade em exemplos concretos.
  • Explicar por que a correlação, e não a quantidade de ativos, reduz o risco da carteira.
  • Reconhecer que correlações mudam ao longo do tempo, sobretudo em crises.