Cooperativa
Sociedade de pessoas que se unem para produzir, comprar ou tomar crédito juntas; cada associado é dono e usuário ao mesmo tempo.
Cooperativa é uma sociedade de pessoas — não de capital — que se unem voluntariamente para atender a necessidades econômicas comuns: trabalhar, produzir, comprar, vender ou tomar crédito em conjunto. A figura inverte a lógica da empresa tradicional. Numa empresa comum, os sócios investem capital e buscam lucro sobre ele, enquanto os clientes são outras pessoas. Na cooperativa, dono e usuário coincidem: o produtor que entrega a safra, o motorista que usa a central de chamados e o associado que toma crédito são, ao mesmo tempo, os proprietários do negócio.
Dessa identidade nascem as regras que distinguem o cooperativismo, consagradas desde os pioneiros de Rochdale, no século XIX, e reconhecidas pela Aliança Cooperativa Internacional: adesão livre e voluntária; gestão democrática, em que cada associado tem um voto, independentemente do capital que aportou; e retorno dos resultados proporcional ao uso, não ao investimento. Por isso, tecnicamente, a cooperativa não distribui lucro, e sim sobras: o que excede os custos volta aos cooperados na medida em que cada um utilizou os serviços, ou é reinvestido por decisão da assembleia. No Brasil, o setor é disciplinado pela Lei 5.764/1971, e ramos específicos, como as cooperativas de crédito, seguem também a regulação do Banco Central.
Um exemplo
Pense em produtores de café do sul de Minas Gerais. Isoladamente, cada sítio negocia pequenas quantidades com intermediários e aceita o preço que lhe oferecem. Reunidos numa cooperativa, os produtores armazenam a safra em conjunto, classificam os grãos, aguardam melhores momentos de venda e negociam volumes que interessam a grandes compradores — chegando, às vezes, a exportar diretamente. A cooperativa também compra adubo e maquinário em escala, barateando o custo de todos. No fim do exercício, as sobras retornam a cada produtor conforme o café que entregou. Nenhum deles poderia, sozinho, manter essa estrutura; juntos, são donos dela.
Por que importa
A cooperativa mostra que há mais de uma forma de organizar a atividade econômica. Ela ilumina, por contraste, o conceito de empresa e o de lucro: ali o capital serve às pessoas, e não o inverso, e o resultado se mede pelo benefício ao associado tanto quanto pelas sobras. O exemplo do café revela dois mecanismos econômicos clássicos — a economia de escala, que dilui custos fixos entre muitos, e o poder de barganha, que cresce com o volume negociado. Nas cidades, as cooperativas de crédito oferecem uma alternativa aos bancos, devolvendo aos próprios associados o resultado da intermediação. A dupla natureza, porém, cobra participação: o cooperado que trata a cooperativa como um fornecedor qualquer enfraquece um negócio que é seu. No Brasil, o modelo tem peso relevante no agronegócio, na saúde, no crédito e no transporte — uma parte da economia que funciona sob a lógica da associação, e não da concorrência entre patrão e cliente.
Ao dominar este conceito, você será capaz de
- Distinguir a cooperativa da empresa tradicional quanto à propriedade e à finalidade.
- Explicar os princípios de adesão livre, gestão democrática e retorno proporcional ao uso.
- Diferenciar sobras de lucro na destinação dos resultados.
- Reconhecer os ganhos de escala e de poder de barganha da ação coletiva.