Banco comercial

Também aparece como: banco de varejo.

Nível 8 · Dificuldade 3/10 · 2 min de leitura

Instituição que capta depósitos e concede empréstimos; ao reemprestar o que recebe, multiplica o crédito da economia.


O banco comercial é a instituição que capta depósitos do público e empresta esse dinheiro a quem precisa dele. É o banco do cotidiano: o da conta corrente, do cartão, do financiamento, da maquininha do comércio. Sua função econômica essencial é a intermediação — reunir a poupança de muitos e canalizá-la, na forma de crédito, para famílias e empresas. Pelo serviço, cobra a diferença entre o juro que paga a quem deposita e o juro que cobra de quem toma emprestado, o chamado spread bancário.

Há, porém, algo menos visível nessa operação. Como os depositantes não sacam todos ao mesmo tempo, o banco guarda apenas uma fração dos depósitos como reserva e empresta o restante. O dinheiro emprestado vira depósito em outra conta, que por sua vez é parcialmente emprestado de novo — e assim por diante. A cada rodada, os meios de pagamento da economia se expandem: é o multiplicador do crédito. Nesse sentido preciso, os bancos comerciais criam dinheiro — não cédulas, mas saldos que circulam como dinheiro.

Um exemplo

Numa cidade pequena, uma professora deposita R$ 1.000 no banco. O banco guarda uma fração como reserva — digamos R$ 200 — e empresta R$ 800 ao dono da papelaria, que reforma a fachada. O pintor que recebe os R$ 800 deposita o valor na própria conta; o banco guarda nova fração e empresta o restante ao mecânico da esquina, que paga o fornecedor, que deposita de novo. Ao fim da cadeia, os depósitos registrados somam bem mais do que os R$ 1.000 originais. Nenhuma cédula nova foi impressa; o que se multiplicou foi o dinheiro escritural — promessas de pagamento que circulam como dinheiro. É o multiplicador do crédito em ação, financiando fachadas, oficinas e estoques que, sem ele, esperariam anos.

Por que importa

A intermediação bancária é o encanamento por onde a poupança de uns vira o investimento de outros — sem ela, cada projeto dependeria de o empreendedor já ter todo o dinheiro no bolso. Mas o mesmo mecanismo que multiplica o crédito cria uma fragilidade célebre: os depósitos podem ser sacados a qualquer momento, enquanto os empréstimos só voltam no longo prazo. Se todos os clientes resolvem sacar ao mesmo tempo — a corrida bancária —, nem o banco mais sólido resiste. É por isso que os bancos figuram entre as empresas mais reguladas que existem: recolhem reservas obrigatórias, seguem limites de capital, contam com mecanismos de garantia de depósitos — cujas regras e valores específicos variam e devem ser conferidos na fonte — e têm no banco central um emprestador de última instância.

O conceito conversa com o crédito, matéria-prima do negócio bancário; com os juros, cujo spread remunera a intermediação; com a liquidez, cujo descasamento explica a fragilidade dos bancos; e com o banco central, guardião que vigia o sistema justamente porque ele multiplica — e pode desmultiplicar — o dinheiro da economia.

Ao dominar este conceito, você será capaz de

  • Explicar a função de intermediação: captar depósitos e conceder empréstimos.
  • Descrever o multiplicador do crédito e a lógica das reservas fracionárias.
  • Entender o spread bancário como remuneração da intermediação.
  • Reconhecer por que os bancos são regulados e supervisionados pelo banco central.