Sociedade Anônima (S.A.)

Também aparece como: S.A., sociedade por ações, companhia.

Nível 6 · Dificuldade 4/10 · 3 min de leitura

Sociedade cujo capital se divide em ações; pode ser aberta ou fechada e separa a figura do sócio da gestão do negócio.


A sociedade anônima — S.A. ou companhia — é o formato societário em que o capital se divide em ações: títulos padronizados que representam frações iguais da propriedade do negócio. Quem detém uma ação é acionista — sócio, portanto — e pode, em regra, vender sua participação a qualquer momento, sem pedir licença aos demais. Essa transferibilidade é a marca da S.A.: enquanto na sociedade limitada os sócios se escolhem, na anônima o quadro de sócios pode mudar todos os dias, e a sociedade segue a mesma. Daí o "anônima" do nome: a companhia não se define pelas pessoas que a compõem, mas pelo capital que a sustenta.

As companhias dividem-se em abertas e fechadas. A aberta tem seus valores mobiliários negociados publicamente — no Brasil, mediante registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e, tipicamente, com ações listadas na B3, a bolsa brasileira. A fechada mantém o capital entre poucos acionistas, sem negociação pública — é o caso de muitas empresas familiares de grande porte. Em ambas, a lei desenha uma arquitetura de poder que separa o sócio da gestão: a assembleia de acionistas decide as grandes questões; o conselho de administração — obrigatório nas companhias abertas, facultativo na maioria das fechadas — orienta e fiscaliza; a diretoria executa. O acionista é dono de uma fração da companhia, mas não manda no balcão — e essa separação entre propriedade e gestão cria o chamado problema de agência: o desafio de garantir que os administradores decidam no interesse de quem os contratou. As práticas de governança corporativa existem para encurtar essa distância.

Um exemplo

Um analista de sistemas em Recife compra, pelo aplicativo da corretora, ações de uma grande companhia elétrica listada na B3. Com alguns toques na tela, torna-se sócio de um negócio com usinas, milhares de empregados e milhões de consumidores — sem conhecer um único diretor. Terá direito a uma fatia dos lucros distribuídos, os dividendos, e poderá votar em assembleia, conforme a espécie de suas ações. Se mudar de ideia na semana seguinte, vende as ações a um desconhecido, e a companhia nem toma conhecimento. Nenhuma outra estrutura societária permitiria a um pequeno poupador entrar e sair da sociedade de uma empresa desse porte com tamanha facilidade.

Por que importa

A S.A. é a ponte entre a poupança de muitos e os empreendimentos que nenhum indivíduo financiaria sozinho. Portos, hidrelétricas, redes de varejo nacionais: obras desse tamanho exigem capital pulverizado entre milhares de investidores, e a ação — padronizada, divisível, negociável — é o veículo que torna isso possível. É sobre as sociedades anônimas abertas que se assenta o mercado de capitais.

O conceito conecta-se ao risco e ao retorno, que o acionista assume em troca da perspectiva de lucros; à liquidez, pois a negociabilidade das ações permite desfazer a posição sem desmontar a empresa; e à diversificação, já que frações pequenas de muitas companhias cabem no bolso de um mesmo poupador. Entender a S.A. é entender como a propriedade das grandes empresas se distribui — e como a gestão delas se controla.

Ao dominar este conceito, você será capaz de

  • Definir a sociedade anônima e a divisão do capital em ações.
  • Diferenciar companhias abertas e fechadas.
  • Explicar a separação entre propriedade e gestão e o papel dos órgãos societários.
  • Relacionar a S.A. ao funcionamento do mercado de capitais.