Incentivos
Recompensas e punições que alteram custos e benefícios de uma decisão e, com isso, moldam o comportamento econômico.
Incentivos são as recompensas e punições — monetárias ou não — que alteram os custos e os benefícios de uma decisão. A ideia central cabe em uma frase: pessoas respondem a incentivos. Quando algo fica mais barato, mais fácil ou mais valorizado socialmente, tende a ser mais feito; quando fica mais caro, mais arriscado ou mais malvisto, tende a ser evitado. Boa parte da análise econômica consiste em perguntar, diante de qualquer situação, quais incentivos estão em jogo.
Os incentivos não são apenas financeiros. Multas e prêmios mexem no bolso, mas a reputação, o reconhecimento e o senso de dever também movem comportamentos. E há uma lição que a experiência ensinou repetidas vezes: incentivos mal desenhados produzem efeitos opostos aos pretendidos, porque as pessoas reagem à regra como ela é, não como se gostaria que fosse.
Um exemplo
O desconto para pagamento do IPVA em cota única é um incentivo clássico: o governo abre mão de uma parte do imposto para receber antes e com menos inadimplência — o percentual varia conforme o estado e o ano. Na direção oposta, um experimento célebre em creches de Israel mostrou o risco dos incentivos mal calibrados: ao instituir multa para os pais que atrasavam na hora de buscar os filhos, os atrasos aumentaram. A multa transformou uma questão de consideração em uma tarifa — pagar passou a dar a sensação de direito ao atraso. O incentivo mudou o comportamento, mas não na direção esperada.
Por que importa
Pensar em incentivos é pensar como economista. Governos os utilizam para orientar comportamentos — impostos sobre o cigarro, descontos por pontualidade, subsídios à inovação; empresas os empregam em comissões, metas e programas de fidelidade; famílias os praticam, mesmo sem usar o nome, quando condicionam a mesada à tarefa cumprida. Em todos os casos, a pergunta relevante é a mesma: o que esta regra torna mais atraente e o que ela torna mais custoso?
Os preços, aliás, formam o sistema de incentivos mais abrangente de uma economia de mercado: cada alta e cada queda convida milhões de pessoas a ajustar suas escolhas, sem que ninguém precise dar ordens. Por isso os incentivos conectam-se de perto ao preço, ao mercado e à própria escolha: eles não eliminam a liberdade de decidir, mas inclinam a balança — e quem desenha regras, contratos ou políticas ignora essa inclinação por sua conta e risco.
Ao dominar este conceito, você será capaz de
- Explicar como incentivos alteram os custos e benefícios de uma decisão.
- Identificar incentivos monetários, morais e sociais em situações reais.
- Reconhecer efeitos não intencionais de incentivos mal desenhados.
- Relacionar os preços ao sistema de incentivos de um mercado.