Ação
A menor fração do capital de uma empresa: quem a possui é sócio, com direito a parte dos lucros e exposição aos riscos do negócio.
Uma ação é a menor fração em que se divide o capital de uma empresa. Quem compra uma ação não está emprestando dinheiro à companhia — está se tornando sócio dela, dono de um pedaço proporcional de tudo o que ela tem e de tudo o que ela vier a lucrar ou perder. Dessa condição derivam os direitos do acionista: participar dos lucros distribuídos, os dividendos; votar em assembleias, conforme a classe da ação; e receber sua parte do patrimônio se a empresa um dia for encerrada — nesse caso, porém, só depois de pagos todos os credores. Em compensação, vigora a responsabilidade limitada: o sócio arrisca, no máximo, o que investiu.
A bolsa de valores transforma essa sociedade em papel negociável. O que antes exigia contratos e cartório passa a se comprar e vender em segundos, o que dá às ações uma liquidez que poucos negócios fechados possuem. O preço, formado a cada pregão pelo encontro de compradores e vendedores, reflete as expectativas sobre os lucros futuros da companhia — e, por isso, oscila com cada notícia que as altere.
Um exemplo
Dois amigos abrem uma pizzaria e dividem o negócio em cem cotas iguais. Quem possui dez cotas tem direito a 10% dos lucros — e carrega 10% dos prejuízos, se vierem. Uma companhia aberta faz exatamente o mesmo, em escala imensamente maior: divide seu capital em milhões de ações e as oferece ao público. Uma aposentada em Fortaleza pode, pelo aplicativo da corretora, comprar cem ações de uma grande empresa brasileira e tornar-se sócia dela — minúscula, mas sócia de verdade: receberá dividendos na proporção de suas ações e verá o valor da sua participação oscilar todos os dias, ao sabor dos resultados da companhia e do humor do mercado.
Por que importa
A ação marca a fronteira entre emprestar e associar-se. O credor da renda fixa tem uma promessa; o acionista tem uma participação — nos lucros, quando existem, e nas perdas, quando chegam. É o exemplo mais puro de renda variável, e carrega o par risco e retorno em estado bruto: nenhum resultado é prometido, e é justamente por suportar essa variação que o sócio pode aspirar a ganhos que o credor não alcança. Benjamin Graham resumiu a atitude sensata diante do conceito: comprar uma ação é comprar um pedaço de um negócio — e ela deve ser avaliada como se avalia um negócio, pelos lucros que pode gerar, não apenas pelo movimento recente do seu preço. Entender a ação prepara o terreno para os conceitos vizinhos: os dividendos, que materializam a condição de sócio; a diversificação, que dilui o risco de qualquer empresa isolada; e a liquidez, que a bolsa oferece e os negócios fechados não têm.
Ao dominar este conceito, você será capaz de
- Definir a ação como fração do capital de uma empresa.
- Identificar os direitos e os riscos da condição de acionista.
- Explicar o papel da bolsa na liquidez das participações societárias.
- Diferenciar a posição do sócio da posição do credor.